sábado, 25 de maio de 2013

COVARDIA NO CAMPO.


A violência no campo


Tomamos a conflitualidade da questão agrária brasileira (FERNANDES, 2005a) como referência neste trabalho (ver capítulo sobre a "questão agrária"). A conflitualidade é formada pelo conjunto de conflitos que, ao serem resolvidos, levam ao desenvolvimento. Desta forma, o conflito é inerente ao desenvolvimento. No interior da questão agrária, o conflito é resultado do enfrentamento entre o território do campesinato e do latifúndio e agronegócio. O conflito surge da diferença de interesses entre esses territórios e a sua solução vem da mediação do que esses dois territórios consideram problemas. É através desta mediação que ocorre o desenvolvimento. Por apresentarem interesses e estratégias divergentes, a resolução dos conflitos entre esses dois territórios nunca é total e requer constante intervenção do Estado. Como analisamos em Girardi e Fernandes (2008), o conflito não é sinônimo de violência. Conflito é uma ação criadora para a transformação da sociedade e a violência é uma reação ao conflito, caracterizada pela destruição física ou moral; é a desarticulação do conflito por meio do controle social. A violência tenta por fim ao conflito sem que haja resolução dos problemas e por isso barra o desenvolvimento. Ocupações de terra, acampamentos, defesa de interesses junto ao parlamento e ao governo são formas de conflito. Assassinatos, ameaças de morte, expulsões da terra, despejos da terra e trabalho escravo são formas de violência.

5 comentários:

  1. A violência está generalizada. Como o Governo não faz muito para acabar, a tendência é piorar muito mais.
    Beijos!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Neste e em outros aspectos o PT decepcionou.

      Excluir
    2. Amigos Janice e Rodrigo, na minha opinião vivemos uma crise moral e ética com consequências devastadoras para toda a população de modo geral. Mas a violência covarde e o descaso com a vida de modo geral é a face mais nefasta dessa falta de competência e capacidade de toda a politica brasileira, que só "trabalha" em função de reeleição, com a ideia de que assim poderão dar continuidade a suas obras, só que ai já se entraram ao jogo sujo e nada mais conseguem fazer, a não ser resolver sua própria vida financeira enquanto se "iludem" que são representantes de algo bom.

      Excluir
  2. Acessando os mapas que constam no site de origem, pode-se verificar que os conflitos ocorrem com maior frequência nas regiões onde a mentalidade dos produtores seria mais atrasada, digamos assim. Destaca-se mais o leste paraense, Tocantins e Maranhão, justamente na direção da antiga guerrilha do Araguaia, além do Mato Grosso. São nesses estados que ainda se ouve falar de trabalho escravo. Mas não é só por lá! Temos também no sul do país, no centro-oeste paranaense, outras áreas de conflito e que nos revelam a dura exclusão dos trabalhadores rurais por lá existente. Penso que é necessário o governo pensar em estratégias de desenvolvimento capaz de incluir o ser humano. Falta também a capacitação da mão-de obra, políticas seguras de remoção e de assentamento e melhores programas de fixação do homem do campo. De qualquer modo, nada justifica uma reação violenta. Na mentalidade do latifundiário quem invade suas terras é "bandido e vagabundo" e, pensando assim, ele já cria uma indisposição para resolver o conflito. Poucos conseguem ver no sem-terra parte da solução. Por vezes, devemos admitir que há grupos de sem-terras que radicalizam propositalmente e algumas lideranças e militantes extrapolam cometendo atos de violência, avançando na produção do proprietário, provocando incêndios, furtando/roubando materiais, tratores, etc. Conforta-me saber que, nesses movimentos, tem estado presente a Pastoral da Terra com líderes bem sensatos adeptos da Teologia da Libertação. Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem sombra de duvidas Rodrigo, o empenho da pastoral da terra é um exemplo raríssimo de verdadeira coragem e de como a fé pode ser produtora de gestos de real valor. Neste espaço de construção de uma cultura de não covardia, tenho a verdadeira coragem como único parâmetro para conferir legitimidade aos discursos e ações. Chega de imposições pela força da mentira e da opressão covarde, esse tempo precisa passar.

      Excluir

A covardia tá comendo. Que bom que você vai comentar!